segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Microconto | Arroz com alho


Foto retirada de morgueFile
-Não, não e não! - Todo dia era a mesma coisa, Alana cruzava os pequenos braços e os apertava contra o peito fazendo biquinho.

- Come, Alana! Você precisa jantar... - A mãe estava desesperada com a colher na mão.

Cada dia Alana dizia que não gostava de alguma coisa. Começou com a cebola, depois era o tomate, passou para o feijão e até a carne, que ela geralmente gostava, chegou a recusar. O problema do dia era o alho. Estava comendo o arroz e percebeu os pequenos pontinhos brancos, perguntou pra mãe o que era e quando recebeu a resposta não quis mais comer.

- Não gosto de alho.
- Mas a sua mãe sempre coloca! - O pai também tentava convencê-la.

Paulo desceu para assistir ao espetáculo da irmã mais nova. Quando entrou na cozinha viu a clássica cena da birra: a menina de braços cruzados encolhida na cadeira, a mãe ao lado com a colher em uma mão e o prato na outra, e o pai deitando a cabeça sobre as mãos do outro lado da mesa. O garoto sentou-se ao seu lado e o imitou.

- Paulo, você já tomou o seu banho? - a mãe questionou.
- Não achei a minha toalha.
- Roberto, ajuda o Paulo com o banho - sua voz fingia paciência - Vamos, Alana, não tenho a noite toda.
- Mãe, posso ajudar? - o menino queria escapar do banho de qualquer forma.
- Já falei pra subir!
- Eu não como se o Paulo não me der! - a menina apoiou a vontade do irmão.

Os pais se entreolharam buscando uma solução.

- Sônia, vem pra sala comigo. Vamos ver um filme, deixa os dois se resolverem, qualquer coisa tentamos de novo mais tarde.

Ela não teve escolha, entregou a prato e a colher ao filho com o olhar de derrota.

- Daqui a pouco eu volto! Quero o seu prato vazio - apontou a menina - e você de banho tomado. - agora o dedo indicava o garoto.

Saíam os adultos da cozinha deixando os irmãos sozinhos.

-Lana, tá vendo esses soldadinhos? - ele juntou o arroz no prato e o separou em vária fileirinhas.
- Pa, aí só tem arroz!
- Não é arroz! São soldadinhos! Eles estão aqui para acabar com o monstro na sua barriga!
- Que monstro?
- Esse que tá gritando aí dentro! Não está sentindo? - A barriga dela roncava por causa da fome.- Agora todos precisam entrar! Abre a boca rápido, antes que não dê mais tempo! Isso, agora o tanque...

Paulo ia criando novas histórias a cada colherada. Alana ria e entrava na brincadeira, em um certo momento sentiu-se livre para criar também. Pegou a colher da mão do irmão e começou a comer sozinha. De conto em conto o prato esvaziou.

Um comentário:

  1. Adorei o conto/texto lembrei de mim mesma com meu irmão mais novo tentado faze-lo comer algo que não gostava haha super criativo <3

    Küsses

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