sábado, 17 de outubro de 2015

Conto Secreto | Parte 3/3


Leia a parte 1
Leia a parte 2

Era sábado quando a campainha tocou. Esta sozinha em casa assistindo à televisão. Levantei desengonçada. Abri e vi Mabel.

Ela estava com o rosto inchado e vermelho, parecia que passara horas chorrando. Correu para dentro de casa sem me cumprimentar, jogou-se no sofá e começou a soluçar. Que cena! Perguntei o que havia acontecido, mas não houve resposta. Sentei-me ao seu lado no pouco espaço de sofá que ainda sobrava. Passei a mão em seus cabelos e ela se ajeitou encostando a cabeça em meu colo. Ficamos assim por alguns minutos. Eu estava confusa, mas gostava da sensação. Ter Mabel ali em meu colo era inacreditável. Para minha infelicidade, ela se levantou. 

Começou a falar sobre um tal de Carlos, falar que o amava muito. Quem era Carlos? As expressões dela eram exageradas, dizia que ia embora, que não queria mais morar naquela cidade... Não conseguia acompanhar tudo, eram muitas as novidades, muita informação saia pelos seus lábios e a maioria não fazia o menor sentido. Quem era Carlos?

Percebi que a história era bem contada, mas meus pensamentos ficaram presos nesse nome. Procurei na memória todos os Carlos que conhecia. Lembrei de um irmão mais novo de alguém e de um um tio de um amigo distante. Definitivamente não conhecia este Carlos... Quis que Mabel parasse de falar nele.

Abracei-a calmamente e aos poucos fui trazendo seu rosto para perto do meu, não recordo se foi ato inconsciente ou planejado. Só lembro do salto que Mabel deu do sofá quando percebeu minha intenção. Ficou nervosa e começou a gritar comigo.

- Foi um erro ter vindo até aqui, eu deveria ter imaginado...

Eu estava imóvel, em choque com a atitude dela (ou talvez com a minha). Olhou para mim, viu minha cara de espanto, sentiu remorso, pediu desculpa mil vezes. Como era dramática...

- Mabel, o que está acontecendo?

De todas as respostas possíveis, ela deu a que eu mais queria e menos esperava. Sentou em meu colo virada de frente pra mim, segurou meu rosto e nos beijamos. Após o beijo o que vi não foi a sua cara assustada, ou espantada. Quando abri os olhos ela olhava para mim sorrindo. Toda aquela pressa e euforia haviam acabado. Ficamos por muito tempo apenas nos olhando, em silêncio. Ela mantinha um pequeno sorriso em seus lábios e passava os olhos por toda minha face, tentando mapeá-la. Eu não conseguia parar de admirá-los, tremendo levemente enquanto se moviam pra cima e para baixo. Talvez eu estivesse sorrindo que nem boba, pois depois de um tempo ela deu risada.

- Kaila, você quase me fez acreditar que isso daria certo.

Levantou-se e foi embora.

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