segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Entrevista com Clara de Clarulitas

Para fazer a matéria sobre quadrinhos, eu conversei com alguns amigos para avisar que estava buscando mulheres que estavam começando a se arriscar no universo dos quadrinhos. Alguns dias depois, um amigo me passou o link do Instagram da Clara avisando que já acompanhava o seu trabalho e que ela se encaixava no perfil que eu estava procurando. Fiquei encantada com a qualidade de seu trabalho pois, além de se aventurar fazendo charges, Clara também é ilustradora e está iniciando na área de animação. Segue abaixo a entrevista que fiz no dia 23 de agosto:

Renata: Primeiramente, me conta um pouco da sua trajetória como ilustradora. Vi em seu Instagram que você já ilustra tem um tempo.
Clara: Oi, Renata! Tudo bem? Eu espero que a minha entrevista seja bem informativa para você e para sua matéria. A minha trajetória começa desde que eu era muito pequena. Sempre gostei de desenhar, sempre fui incentivada a desenhar. Desde pequena gosto de brincar com lápis, com tinta, de observar as formas, os rostos das pessoas e os movimentos que elas fazem. A partir de 2015, comecei a me profissionalizar. [Desenhar] Era uma coisa que sempre fiz então pensei em ter a teoria e comecei a fazer aula de desenho. Aprendi as técnicas de como se desenha e de pintura - principalmente com aquarela e nanquim que é o que o pessoal que faz HQs mais usa. Hoje em dia eu me aventuro também no HQ, principalmente com charge, que é como se fosse uma tirinha mas apenas com um quadrinho. Também estou me aventurando nas animações, é bem recente mas é uma coisa que eu sempre gostei.

R: O que te chamou a atenção nos quadrinhos pra que você se decidisse se arriscar nessa área?
C: Eu acho que o que mais chama a atenção, o que mais inspira o quadrinista - e eu falo isso meio que arriscado porque eu nunca conversei sobre isso com outros quadrinistas - é o trabalho de outros quadrinistas mesmo. A gente se inspira com a pessoa que tem um trabalho muito bonito, muito bem feito e com uma ótima narrativa.O que chama a atenção é que a gente se inspira nas obras já feitas. Nesse ano eu fui em uma feira de quadrinhos em BH [Belo Horizonte], foi a 10ª edição desse evento, que chama chama FIQ - Festival Internacional de Quadrinhos - , lá eu pude conhecer muitos artistas não só de Minas [Gerais], mas também do Brasil inteiro. E desde então eu venho me moldando para fazer um trabalho maior.
Uma coisa que eu ouvi é que quando você começa a fazer quadrinhos, você começa com as tirinhas, que nada mais são que uma mini história, para você depois evoluir e tornar isso numa grande história, e tornar isso em uma revista HQ. É muito bacana você se inspirar em outro artista. Isso diz muito sobre arte em geral, na verdade.

R: Você sente alguma dificuldade em entrar no mercado ou lançar o seu trabalho?
C: Olha, o mercado de quadrinho, de ilustração, aqui no Brasil, sempre foi muito difícil. E na área de quadrinho especificamente, acho que o mais complicado para você lançar o seu trabalho é ter patrocínio. Porque além do trabalho de criar o seu quadrinho inteiro, de criar a sua história, criar a narrativa, você ainda precisa imprimir. Você pode lançar online, mas a maioria faz a impressão pois é bom ter a cópia física. E para fazer essa obra física é muito complicado, precisa de muito patrocínio porque é uma coisa que tem muito gasto. Acho que a parte mais difícil é essa. Depois que você lança... Uma coisa que eu observo muito nos quadrinistas: eles são muito unidos, eles se conhecem, eles trocam ideias, eles incentivam um ao outro. Então acho que o mais difícil, realmente, é conseguir o patrocínio para lançar as cópias físicas.

R: Você acredita que ser mulher dificulta o processo de conseguir patrocinadores ou que o mercado é difícil para todos?
C:
Eu acredito que tenha sim o fator que talvez possa dificultar a entrada de mulheres no mercado de quadrinhos, principalmente pela cultura que há dentro do meio. É claro que isso tem mudado, principalmente na última década. Há uma cultura de machista, principalmente nos quadrinhos. Esses quadrinhos de super heróis, quadrinho americano e alguns japoneses também - mangás -, sexualizam muito a figura feminina. Falo em proporções de desenhos, em questões de técnica. Eles exageram muito no corpo feminino e isso acaba refletindo também em quem consome. O consumidor final do produto dos quadrinhos acaba sendo influenciado. E quem faz quadrinho também lê quadrinho, então acho que tem um pouco a ver sim. Mas como disse, isso tem mudado. Nesse evento que eu fui, a FIQ, por exemplo, tinha muita quadrinista. Eu não vou saber falar a porcentagem certinho, mas no mínimo 40% de todos que estavam lá eram mulheres e é muito importante ter representatividade não só dentro do quadrinho. Ter uma releitura mais humana do que é a mulher e também de fora, de quem faz o quadrinho. Isso vai influenciar muito positivamente as gerações seguintes, ao meu ver.

R: Hoje há um público que você visa alcançar com o seu trabalho?
C: Principalmente mulheres, já que gosto e sempre gostei e raramente faço homens, eu sempre desenho mulheres. Mulheres que gostam de uma coisa não muito voltada muito a feminilidade. Eu gosto de colocar humor nas coisas, não de colocar questões femininas. Apenas questões referentes principalmente à cultura pop e também, pra quem gosta e curte, a cultura LGBT também. Acho que reflete um pouco no que eu faço, o público alvo reflete naquilo que eu desenho, naquilo que eu crio. Então eu praticamente faço isso: desenho mulheres, faço referência a cultura pop, faço referências a cultura LGBT também e acho que esse seria o público.

R: Tem algum tema que você sente vontade de tratar nas suas tirinhas mas fica com medo da reação do público?
C:
Tem uma coisa sim que às vezes eu tenho vontade de tratar mas fico com receio de estar desrespeitando. Queria falar sobre religião, no caso questionar a religião. Mas eu sempre ponho um pé atrás de falar sobre o tema porque sempre gera polêmica. A gente vê várias reações à obras que mexem com religião e nunca são positivas. Mas é o que a gente espera quando mexe com esses temas polêmicos, é uma forma de dar aquela incomodada, sabe? Acho que esse é o principal tema que eu tenho receio de tratar.

R: Você já teve alguma reação negativa por tratar temas ligados ao público feminino?
C: Não, pois, como falei pra você, não gosto de tratar especificidades de gênero. Eu não gosto de tratar de coisas que só a mulher vai saber identificar. Às vezes pode acontecer de eu tratar disso, mas a maioria é uma coisa que todo mundo passa porém, geralmente é sempre retratado com homens. Minha proposta é sempre essa quando faço quadrinhos.
Mas já teve casos de perguntarem por que eu só faço mulheres, praticamente 90% dos desenhos que faço são mulheres, a menos que seja uma encomenda, é claro.

Quer conhecer melhor o trabalho da Clara? Visite o Instagram dela e confira @clarulitas

sábado, 8 de setembro de 2018

Mulher e Quadrinhos: será que combina?

Crédito: Aliens of Camila


O quadrinho é cultural para a população brasileira. São usados com muita frequência na educação infantil como auxílio na alfabetização nos gibis e ilustram livros didáticos de todo Ensino Fundamental e Médio com tirinhas que contemplam os mais diversos assuntos.

Longe de ser um entretenimento de exclusividade para o público infanto-juvenil, o mundo das histórias em quadrinhos também traz narrativas voltadas para o público mais velho. Alan Moore, David Gibbons, Chris Claremont e John Byrne são apenas alguns dos grandes nomes no cenários das HQs que chamam a atenção do público geek e são considerados como para o gênero. Porém, além de adulto, esse grupo tem outra característica em comum: é majoritariamente constituído por homens.

Mas por que o público feminino não se atraiu pelas histórias em quadrinhos e por que meninas deixam de ler HQs quando ficam mais velhas?

Mulheres nos quadrinhos


Crédito: Clarulitas

O primeiro obstáculo encontrado pelas mulheres para se identificar com os quadrinhos é a forma como são retratadas neles. A hipersexualização da mulher é evidente quando vemos personagens femininas com corpos de proporções exageradas e com roupas muito curtas ou até mesmo nuas. “Esses quadrinhos de super heróis, quadrinho americano, tem alguns japoneses também, alguns mangás, sexualizam muito a figura feminina, falo em proporções de desenhos, em questões de técnica” diz Clara Lopes de Assis, ilustradora independente da página Clauritas no Instagram. “Eles exageram muito no corpo feminino e isso acaba refletindo também em quem consome” completa.

Outro problema discutido é a falta de personagens femininas interessantes. “Os personagens masculinos sempre são os principais, as mulheres sempre secundárias, estão ali como a melhor amiga, a namorada, mas nunca sendo a protagonista de suas próprias histórias.” comenta Camila quadrinista do Aliens of Camila. A maioria das história em quadrinhos não se adequa ao teste de Bechdel (veja a mais sobre o teste aqui), que questiona se há na obra personagens femininas que conversam entre si sem ter como assunto central um homem. Na maioria dos casos as personagens ou estão conversando com homens ou estão falando sobre homens. O plano de fundo dessas personagens também é ignorado na maioria das vezes, sem se aprofundar muito nas angústias ou motivações que levam a mulher a tomar suas decisões, dando a entender que é sua feminilidade e fragilidade que a faz agir de determinada maneira.

A ausência de mulheres quadrinistas também afasta bastante esse público. Quando a mulher não tem alguém que a represente de verdade, ela acaba se afastando do gênero considerado pela sociedade como “masculino”.

Mulheres quadrinistas


Crédito: Aliens of Camila


Antes de discutirmos o porquê de termos poucas mulheres de referência na história dos HQs precisamos tentar responder uma pergunta mais geral feita por Linda Nochlin: “por que não existiram grandes mulheres artistas?” A forma como a sociedade aceita o trabalho dessas artistas pode justificar o motivo. A genialidade é dada pelo fator social, ou seja, é a sociedade que define quais tipos de obras são de grande destaques e quais serão apagadas e destruídas com o tempo. Como vivemos em uma sociedade cujo trabalho masculino é mais valorizado que o feminino, é fácil constatar porque  as obras de mulheres não foram consideradas grandiosas e não tiveram visibilidade.

Quando falamos sobre o mundo dos quadrinhos, isso não é diferente. O universo considerado “masculino” é valorizado enquanto o “feminino” se torna de qualidade inferior. O mérito artístico deixa de ser apenas baseado em técnica, mas passa a ser social também. Desta forma, o mercado acaba também dando mais destaque à quadrinistas homens. Isso explica porque o trabalho feito por mulheres quadrinista costuma não ser aceito pelo público masculino - atualmente maior consumidor de quadrinhos. O motivo apontado por homens muitas vezes é de que mulheres fazem quadrinho “fofos” e “infantis” com temáticas que não interessam o público masculino. Por outro lado, as autoras revelam que muitas vezes seus textos não englobam temáticas específicas do cotidiano feminino e apenas colocam a mulher como protagonista de questões cotidianas. “Tenho personagens homens, sim, e represento às vezes algumas coisas que servem tanto pra homem quanto pra mulher, isso não tem distinção de gênero, mas não faço nada voltado especificamente pra homem.” diz Camila.

Assim, o trabalho feito por mulheres acaba tendo pouca visibilidade. “Eu acho que é uma coisa muito velada esse lance de dificuldade por ser mulher. Ninguém vai falar pra você: ‘Você não vai participar de tal evento por ser mulher’ ou vai querer menosprezar o seu trabalho por conta disso.” Camila. Mas ela diz que é possível perder algumas oportunidades por conta da falta de visibilidade “Mas não perdendo, é mais: certas oportunidades acontecem mais com quadrinistas homens do que com quadrinistas mulheres”. Sem o olhar das editoras, fica difícil entrar no mercado, como explica Clara “além do seu trabalho de criar o seu quadrinho inteiro, de criar a sua história, criar a narrativa, além disso, você tem que imprimir. E para fazer essa obra física é muito complicado, você precisa de muito patrocínio, porque é uma coisa que tem muito gasto. Acho que a essa é a parte mais difícil”.

A forma que estas quadrinistas encontram de ter o  trabalho com mais visibilidade é se concentrar no público feminino. pois este demonstra mais aceitação à temática e vem aumentando junto com a quantidade de quadrinistas que o representa. O uso de plataformas de financiamento coletivo e das redes sociais auxiliam as quadrinistas a lançarem o seu trabalho de maneira independente e a divulgar o seu trabalho. “Eu gosto de fazer [quadrinhos] pensando nas meninas, pensando em como eu posso representar vários dramas femininos que a gente passa e como eu posso ser porta voz de certa forma, trazer uma representatividade pro universo feminino nos quadrinhos.  Ainda é um universo muito novo e está sendo descoberto agora por nós mulheres.” diz Camila, “as meninas estão começando a ver que o trabalho não é só feito por homens, que têm mulheres também fazendo e que elas também podem se divertir lendo HQ. Então pra mim é bom fazer mais voltado pra mulher mesmo porque acho que isso vai ajudar outras meninas, vais trazer meninas pra dentro dos quadrinhos, vai ajudar as meninas que querem fazer [quadrinhos]” completa.

Esse meio vem dando resultados e mudando o cenário no universo das HQs. A FIQBH (Festival Internacional de Quadrinhos de Belo Horizonte), que ocorreu no final de junho deste ano, teve como homenageada Erica Awano, “lenda do mangá nacional”, segundo a página do evento. Além de exposição sobre o trabalho de mulheres quadrinistas de Belo Horizonte e a lista de convidados bem diversificada.

Trazer a mulher como autora de suas próprias histórias aumenta o interesse do público feminino pelo gênero e prova que quadrinhos não é necessariamente “coisa de menino”. Hoje as mulheres não se contentam em parar só nos gibis e o público nerd tem que se preparar para receber as moças que estão chegando e não parecem com muita vontade de se retirar. Quando perguntada sobre as críticas masculinas sobre o seu trabalho, Camila responde rindo: “Crítica de macho? Sempre! Eles se incomodam muito quando a gente passa a representar pessoas diferentes” mesmo assim, ela não pretende parar: “faço [quadrinhos] porque é o que me dá gosto de fazer. O dia que não ficar tão legal assim eu vou parar, mas isso não vai ser tão cedo.”


Links

Clarulitas:
Instagram: @clarulitas

Aliens of Camila
Instagram: @aliensofcamila

Saiba Mais 


quinta-feira, 13 de abril de 2017

Voltando ao Blog


Olá, pessoas!

Tenho ótimas notícias para todos: o blog será reativado! Vou dar uma mudada em alguns temas e assuntos, mas, no geral, não vai ser uma alteração muito grande. O template atual está um lixo, eu sei, e eu acabei perdendo o meu domínio... Enfim... com o tempo as coisas vão se acertando por aqui até tudo voltar ao normal. Por enquanto, vou colocando os posts dessa forma mesmo.

Agora estou fazendo Faculdade de Jornalismo na UFJF! (AÊÊÊÊ, PASSEI!) Então vou começar a usar o blog como portfólio. Todo mês vou lançar uma matéria vem feitinha, bem completinha, com entrevista, pesquisa e tudo mais, geralmente relacionada a temas ligados a gênero, identificação de gênero e sexualidade. Vamos ver se dá bom, ok? Continuem lendo!

Beijos!



terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Guias de leitura que utilizarei em 2016

Olá, pessoal!

Já teve aquela sensação de ter tantos livros para ler que não sabe nem por onde começar? Depois que eu entrei na faculdade de Letras me senti totalmente perdida. Os professores falavam sobre várias obras com uma naturalidade amedrontadora, como se o básico para você pensar em "talvez quem sabe um dia" colocar o seu nominho na inscrição do vestibular para o curso de Letras fosse conhecer aqueles livros de cor. O detalhe: eu nem ao menos conhecia o autor da obra, e quando digo que não conhecia quero dizer: "nunca vi mais gordo".

Com a frustração, corri para a biblioteca na tentativa de tirar o atraso. Chegando lá, várias estantes recheadas de livros. Por onde começar? Não vou mentir, passou pela minha cabeça fazer tal qual o Autodidata de A náusea: ir em ordem alfabética. Claro que não era uma boa ideia. Vi o primeiro da primeira estante, não senti vontade de lê-lo, desisti na hora. 

A segunda tentativa foi anotar todas as obras citadas em sala de aula. A lista cresceu monstruosamente em apenas um mês. Alguns nomes estavam errados e eu não os encontrava. Depois de um tempo fiquei com preguiça de anotar e desanimei.

O terceiro método tentado foi seguir o livro 501 Grandes escritores. No começo deu certo, cheguei a ler muita coisa dos autores gregos, mas ficava presa a isso, não conhecia muitas obras modernas e acabava indo mal nas matérias de literatura mais "atual". Além disso, o livro quase não tem autores nacionais...

Coleção Saraiva de Bolso

O último e mais bem sucedido (utilizo há uns 3 anos) foi seguir a listinha encontrada no fim dos livros da coleção Saraiva de Bolso (esses livros de capa colorida que sempre aparecem por aqui). Os livros são bem baratinhos e a seleção feita pela editora me pareceu completinha, apesar de conter apenas clássicos da literatura. Nem preciso falar das capas, né? Minha coleção só aumenta!

Clube da leitura

Este ano, para sair um pouco da exclusividade na leitura de clássicos, vou revezar os livros da Coleção com os livro indicados pelo Clube da Leitura do grupo Blogs que Interagem. Vocês verão a resenha destes livros aqui no blog todo mês. Os livros faram votados pelo pessoal do grupo, então estão bem diversificados. Vai ter romance, saga, ficção científica e até chick-lit.

Operação Sujeito Livre

Para quem não conhece ainda, a Operação Sujeito Livre é um desafio mensal que consiste em ler um livro por mês dentro do tema proposto. Eu faço a escolha dos temas pensando na progressão de uma pessoa que começa o desafio sem o costume de ler. Nesta primeira edição os temas são bem amplos, dando aos participantes chances de escolher o livro que mais lhe agrada. Nas próximas edições a ideia é ir especificando mais e aumentando a dificuldade das leituras, além de apresentar ao leitor diferentes gêneros e autores.

E como vocês estão programando as leituras deste ano? Conta aí os comentários!

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Noite dos tímidos


Laura teve a melhor noite de sua vida. Dançou. Conversou. Riu. Falou bobagens. Contou piadas. Viu os outros rirem. Dançou mais um pouco. Viu um cara lindo. Flertou com o cara lindo. Dançou com o cara lindo. Beijou o cara lindo. Fez mais com o cara lindo. Subiu na mesa. Dançou de novo. Viu outro cara lindo. Ficou com ele também. Contou para as amigas na fila do banheiro. Riram juntas. Foi pra pista uma última vez. Voltou de táxi para casa.

No dia seguinte veio a ressaca...

sábado, 9 de janeiro de 2016

E o ENEM? | Escolha seu curso com calma


Olá, pessoal!

Ontem saiu a tão esperada nota do Enem. Depois de ficar metade do dia esperando a nota a sair e a outra metade tentando entrar no site do Inep, os estudantes que prestaram o maior vestibular do país conseguiram vem seus resultados.

Se você, assim como eu, não consegue esperar chegar o dia 11 para saber se tem chances no seu curso, recomendo o site Mapa do Sisu, desenvolvido pelo Guia do Estudante.

Nele você faz um cadastro e escolhe até três opções de curso e, através do seu resultado no Enem, ele relaciona as faculdades que você tem chance de passar.

Adicione os cursos e sua nota

Veja a lista de faculdades em que você tem chance de passar
Lembrando o sistema usa como base as informações do Sisu 2015 da primeira chamada, então é só uma estimativa. O classificação real deste ano só sairá no dia 13 de janeiro.

Não passou? Não se preocupe, pesquise sobre os cursos parecidos com a sua área. Algumas faculdades tem cursos muito parecidos, mas com nomes diferentes, estes costumam ser menos concorridos. Use este domingo para estudar sua "estratégia" para segunda-feira!

Boa sorte e até a próxima!

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Resenha | Morte em Veneza: Thomas Mann

Olá, pessoal!

Vamos comemorar o dia do leitor com resenha?? Vamos!!

Terminei este livro fim do ano passado e só agora tive tempo para compartilhar com vocês o que eu achei. Vamos responder as perguntinhas básicas para que você inicie sua leitura com mais tranquilidade. Pra quem não viu, fiz um esquema aqui indicando o que é preciso fazer para aproveitar o máximo dos livros clássicos.



1. Autor


Thomas Mann(1875-1955) é alemão e um dos ganhadores do Prêmio Nobel de Literatura. Mudou-se para a Suíça em 1933, saindo da Alemanha por conta da subida dos nazistas ao poder. Manifestava opiniões antinazistas em uma rádio durante a Segunda Guerra Mundial. Sua abra de destaque é Doutor Fausto publicada em 1947.

2. História


Morte em Veneza foi publicado em 1912. Mann usa Veneza como plano de funda da sua história e ressalta a falta de saneamento desta cidade na época. É possível observar duas Venezas: uma feita pra o turismo e outra para a população. A primeira é bela e na segunda uma grande doença se alastra. Porém esta não é a principal crítica da obra. O autor busca questionar o senso artístico e a definição de belo.

Minhas impressões (pode conter spoiler)

Quanto a leitura, só é preciso ter um pouco de paciência com as demoradas descrições do autor e prestar atenção nelas, vai ser ali que estará todo o questionamento do que está acontecendo no interior do personagem principal, apesar da obra não ser em primeira pessoa.

Ao contrário do que vi em algumas resenhas, não acredito que a obra trate de homossexualidade, pois não há um interesse carnal por parte do personagem principal, apenas o vemos deslumbrado com o que ele define ser belo. Mesmo assim não vou dizer que Thomas Mann andava com um botton LGBT grudado no bolso do paletó... Vamos lembrar que a obra foi escrita em 1912, e se na nossa época ainda existe grande preconceito, imagina em plena porta de entrada para a Segunda Guerra Mundial.

Não foi a melhor leitura da minha vida, se quiser ler o autor apenas para conhecê-lo, indico Confissões do impostor Felix Krull  a última obra de Mann e que, apesar de não acabada, é muito boa! Só não indico Doutor Fausto porque ainda não li, mas espero conseguir ler em breve!

Você já leu algo de Thomas Mann? Tem vontade de ler?